A música e a moda: uma cultura de pré-conceitos

Eu gosto de moda. Eu procuro sempre estar bem informada, leio a respeito, acompanho tudo o que posso. Óbvio que não sou expert como a fashion journalist Carô Tremarin – minha Érika Palomino do Vale do Sinos – ou como o stylist blogueiro Alexandre Camilo, mas me esforço.

Pois bem, peguei-me lembrando que tenho que trocar as lentes dos óculos e, já aproveitando, pensei em trocar a armação. Andei me apaixonando pelo modelo wayfarer e fiquei me perguntando se as pessoas não me colocariam na categoria happy rock se me vissem com um desses. Eu, com meus vinte e tantos anos, poderia cair na categoria rock adolescente por um acessório?

Sim, eu explico. O Wayfarer é um modelo de óculos criado pela Ray-Ban, lá nos anos 1950 – um dos modelos mais vendidos na história. Ele sempre esteve por aí, desde os tempos que meus aós eram jovens, mas nos últimos tempos uma galerinha que usa franjas e calças coloridas resolveu adotá-los como parte do figurino. Aí o que se vê são incontáveis pré-adolescentes e adolescentes com estes óculos na rua, com as cores mais improváveis possíveis, achando que a banda do momento que os lançou. E, óbvio, usam para imitá-los.

Ok. Tem certo sentido a criançada usar para imitar seus “ídolos”. O problema é uma coisa virar sinônimo de outra. Por essa lógica, Paris Hilton, Amy Whinehouse e a Gisele Bündchen seriam as maiores fãs de Pe Lanza e sua trupe.

O mesmo vale para os sneakers da vez. Quem nunca viu aqueles Nikes – ou marcas similares – mais largos e com canos mais avantajados, uma (re)volução dos modelos SB? Isso, esses mesmos que você ta pensando, aqueles que você viu em todas as vitrines – e pés – do shopping. Sim, eles estão nos pés de muitas destas bandas felizes, emos ou hardcore. Sinônimos? Não: se fosse o caso, nosso querido Marty McFly teria previsto o futuro também da cultura em Back to the Future. Sem falar nos metaleiros do Megadeth, que devem estar chorando até hoje pois agora sabemos que as calças skinnies e seus tênis na verdade apenas queriam dizer que eles também eram post-hardcore – 20 e tantos anos antes do boom, claro. O pobre Steven Tyler com suas calças roxas, então, poderia ser o pai de um dos Restart.

Aquela coisa: se você parece com eles, deve ser um deles.

Ou não. Portanto, um apelo: assim como nem toda garota loira que toca guitarra é a Avril Lavigne, nem todo roqueiro que usa skinny é emo. Quando fui à MTV, compararam minhas calças com as dos caras da Fresno, vejam só – em rede nacional, tudo o que eu queria. E não, eu continuo não sendo fã de Cine só porque tenho um Nike SB.

Desabafo feito, com licença, vou lá escolher um wayfarer. Estamos combinados?

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~ por Isadora Muller em janeiro 10, 2011.

6 Respostas to “A música e a moda: uma cultura de pré-conceitos”

  1. que citação honrosa, amiga!

    pois é. quando eu defendo o Restart, ninguém acredita. e meu crédito aqui não vai para a música, para o apelo emo ou para as atitudes da banda, mas, sim, pelo modismo que criaram.

    desculpa, mundo. mas o Restart é responsável por ditar uma moda que superfuncionou! não temos como fugir disso.

    como qualquer adolescente, eles são sugestionáveis. daí que a stylist resolveu apresentá-los o wayfarer. e ninguém mais conseguiu escapar do fardo de parecer um membro da ‘família’, sendo um possuidor dos tão famoso óculos da Ray Ban. inclusive eu e tu, Isa (o que também aplica aos nossos SB’s, tão lindos)

  2. Mas o que mais é a banda além de uma jogada de marketing que envolve indentificação adolescente com uma tendência fácil de seguir e identificar seus iguais?
    O lado bom: ninguém mais tem vergonha de vestir nada. O lado ruim: corremos o risco de parecer umas happy rockers! haha

  3. Gata, quanta honra receber uma indicação tua por aqui!

    Concordo contigo e com a Carolina em partes. Eu mesmo tenho um óculos de grau com armação Wayfarer, e rejeito a família Restart. Contraditório?

    Assim como todos os fenômenos de moda. Nós “metidos em moda”, costumamos torcer o nariz quando uma tendência vira moda e vende, vende, vende. E essa não é a lógica do mercado?

    Ainda bem que existem pessoas inovadoras pra recomeçar o processo. E desde os anos 50, como tu citou, é a contracultura adolescente quem faz isso.

    Beijooooooos

  4. O Restart “lançou” o Wayfarer com lentes claras :P

  5. E a Carolina que me perdoe, mas odeio o Restart mais por lançar essa moda ridícula do que pela música deles

  6. lançou não, cypri. as “lentes claras” não só já existiam antes como já foram tendência de fashion nerd – o geek – já que adotaram, há um tempinho já, armações pesadinhas e marcantes para óculos de grau também.
    mas né, como a Carô comentou ali, tem um lado bom e outro ruim…

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