Criticando a crítica

– para a matéria de Ética, Legislação e Crítica da Mídia, da faculdade.

 Como José Luiz Braga ressalta em seu livro “A sociedade enfrenta a mídia: dispositivos sociais de crítica da mídia”, existe uma grande variedade de dispositivos sociais, tais como cineclubes, sites de media criticism, fóruns, crítica jornalística, processos de autocrítica da imprensa, etc. Em virtude desse amplo ambiente midiático, cria-se espaço para criticar as mais variadas formas de veiculação de informação.

 Vemos diariamente nos jornais, revistas, rádio, televisão e Internet uma grande quantidade de notícias, reportagens, informações, críticas e opiniões. Estes processos midiáticos não se esgotam nos subsistemas de produção e de recepção. A mídia ganha um papel ativo, enquanto a sociedade sempre está em posição de “recebedora” de informações. 

 Braga desenvolve a constatação de um terceiro sistema de processos midiáticos, que funcionaria como comunicação, que é denominado “sistema de interação social sobre a mídia” – ou resposta social. Uma parte dos processos de retorno não tem relação com a crítica nem com as ações sociais de “falas sobre a mídia” – não levando em consideração, assim, a audiência.

 Para exemplificar a constatação de Braga, podemos citar a crítica que o portal G1 publicou sobre o novo CD do Guns N’ Roses, Chinese Democracy. Assim como todos os grandes veículos brasileiros e mundiais, o portal teve acesso ao álbum antes do público e fez sua crítica ao trabalho da banda. A crítica, assim como outros veículos especializados em música ou não, foi uma comparação com antigos trabalhos do grupo, reviews faixa-a-faixa e análise da criatividade.

 A crítica tem o poder de “pré-moldar” o imaginário de seu público. Os que não ouviram ainda o álbum do Guns N’ Roses podem sentir-se desmotivados a ouvi-lo depois de ler informações como “Chinese democracy patina entre o hard rock e a música eletrônica” ou querer conhece-lo após saber que a equipe da redação afirma que a voz do vocalista continua poderosa e afinada.

 Pode-se ver o retorno do público de várias formas. Uma delas – a mais óbvia -, é notar que existem dezenas e dezenas de comentários de leitores logo abaixo da matéria. Audiência definitivamente não é mais o que é considerado para medir o quanto a mídia influencia na vida cotidiana: com certeza milhares de pessoas leram a matéria em questão e, mesmo que  relativamente poucos leitores comentaram, a crítica repercutiu entre todos os que a leram: espectadores comentaram entre si, contaram para as pessoas ao redor, escreveram sobre ela em seus blogs, etc.

 Como comunicadores, podemos perceber interações entre a crítica especializada e os comentários do mundo concreto. Ela pode fornecer vocabulário, métodos e embasamento, podendo estimular o interesse de criticar – desde que esta faça sentido. O foco do trabalho de uma crítica jornalística é mais amplo do que a observação da crítica especializada, também.

 Assim, Braga afirma que os sentidos midiaticamente produzidos “chegam à sociedade e passam a circular nesta, entre pessoas, grupos e instituições, impregnando e parcialmente direcionando a cultura”. Segundo o autor, se estas informações não circulassem, não estariam “na cultura”. Neste sistema de circulação podemos ver o que a sociedade de fato faz com a sua mídia: dá uma resposta.
 Segundo o autor, o conceito de “leitura”, no sentido de uso e recepção, já vem sendo descartado há algum tempo. A sociedade hoje “se organiza para tratar a própria mídia, desenvolvendo dispositivos sociais, com diferentes graus de institucionalização, que dão consistência, perfil e continuidade a determinados modos de tratamento, disponibilizando e fazendo circular esses modos no contexto social. A própria interação com o produto circula, faz rever, gera processos interpretativos.” (Braga, 2006, p. 36)

 Voltando ao exemplo do portal G1 falando sobre o Chinese Democracy: podemos chamar a informação deste veículo de crítica pois atende a dois requisitos para ser considerado crítico: ele tensiona processos e produtos midiáticos e exerce um trabalho analítico-interpretativo. Muito embora o G1 não tenha alcançado o nível de crítica do site da revista Rolling Stone americana – que dedica muito mais caracteres a detalhar o as qualidades e defeitos do álbum e o trabalho dos músicos e produtores, ao longo dos últimos 15 anos -, fez sim uma crítica à mídia pois se volta para os processos de produção midiática e seus produtos.


3 Respostas to “Criticando a crítica”

  1. […] …correndo bastante, indo todos os dias à capital e acordando bem cedinho. De textos, só uma crítica de crítica da mídia (!), pra faculdade. Meu espanhol está melhorando, a propósito. Final de semana chegando e mais […]

  2. deus do céu

    só eu sei do que se tratam críticas da crítica da mídia.com

    meda

  3. Nada como ver a crítica nos olhos da crítica. Amey =P

    p.s. “produtos midiáticos” entrou no meu vocabulário \o/

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