Manifestações e fugas através da música em Cuba: Habana Blues

 

Habana Blues trata de amizades e amores – amores pela música, pelos filhos, pelo seu país. Conta a história de dois amigos  – Tito e Ruy – de Havana, capital de Cuba, que sonham em fazer sua banda dar certo – para, assim, poderem viver disso.
Seus desejos musicais incluem sair de cuba para mostrar sua música para o mundo – e a chegada de produtores espanhóis à ilha dão início as tentativas de se destacarem para conseguir fechar contrato musical. Mostra um pouco do caminho do underground até o mainstream de bandas na América Latina – que é semelhante em todos os países.
Os produtores querem que os músicos cubanos saiam em turnê como que foragidos da ilha, mostrando que fugiram de lá por ser muito ruim. Queriam que fosse passada uma imagem de que a manifestação cultural lá é proibida. Tito e Ruy não gostam da ideia de falar mal de seu país, e gostariam de cantar temas relacionados a beleza, e não revolta, demonstrando patriotismo.
Anibal Ford, em Navegações – Comunicação, cultura e crise, comenta que “são claras as profundas relações entre política e cultura, mas também é claro que são dois territórios, duas distâncias, epistemologicamente diferentes”. É o que é passado no filme: a música – proibida – usada como instrumento político mas que, de certa forma, não poderia ser usada assim. 
A música é uma forma de cultura usada como válvula de escape para os problemas vividos pelos personagens – como a infelicidade no casamento, as confusões, falta de dinheiro, etc. A música é uma forma de expressão e entretenimento, apontada por Ford como distanciamento de uma realidade cruel. 
Segundo Ford, o fracasso dos paises socialistas na constituição de uma industria cultural competitiva com a ocidental não é alheio ao fenômeno da incompreensão dos meios de comunicação. Esses países  são muito rígidos na discriminação antropológica por estarem apoiados na mesma concepção de razão, o que dificulta ainda mais uma banda sair de Cuba para tocar em outros países: questões políticas.
Em Habana Blues também podemos perceber o forte necessidade de migração para outros países – especialmente os Estados Unidos. A “promessa de vida melhor”, mesmo que seja para viver como imigrante ilegal em outro país. O risco de fugir em uma lancha, sem saber o que irá acontecer é enorme mas, mesmo assim, as pessoas se arriscam deixando tudo para trás.
Tito, percussionista e segunda voz da banda, parece usar da música como escalada para fugir de seu país, demonstrando que faria qualquer acordo com os produtores, trabalhando por preços abusivos, desde que eles o tirem de lá. 
Para Ford, o eixo da crise latino-americana passa por uma economia estagnada, que não estaria acompanhando o aumento populacional e “significa o crescimento da marginalização e das culturas informais”, o que podemos relacionar com Habana Blues: várias formas de manifestações culturais, desde o rap até o death metal, passando pelo pop, salsa e rock, feitos pelas classes populares de cuba.  Essas classes populares, segundo Ford, teriam “saberes que talvez não possam ser formalizados, porque sua semiose não depende só dos códigos mas fundamentalmente do contexto”.
Concluindo, Habana Blues é um filme que reflete não somente a realidade atual de Cuba, mas também a realidade de toda a América Latina: momentos de crise, em que as pessoas buscam por uma vida melhor, uma forma de “escapar” ou driblar os problemas. Mostra a dificuldade de artistas independentes mostrarem seus trabalhos em meio massificados – e também o que estes artistas são capazes para isso.(texto 

(texto para a matéria “Seminário América Latina: Comunicação e Desenvolvimento Sustentável”, do curso de jornalismo)

Habana Blues trata de amizades e amores – amores pela música, pelos filhos, pelo seu país. Conta a história de dois amigos  – Tito e Ruy – de Havana, capital de Cuba, que sonham em fazer sua banda dar certo – para, assim, poderem viver disso.

 

Seus desejos musicais incluem sair de cuba para mostrar sua música para o mundo – e a chegada de produtores espanhóis à ilha dão início as tentativas de se destacarem para conseguir fechar contrato musical. Mostra um pouco do caminho do underground até o mainstream de bandas na América Latina – que é semelhante em todos os países.

 

Os produtores querem que os músicos cubanos saiam em turnê como que foragidos da ilha, mostrando que fugiram de lá por ser muito ruim. Queriam que fosse passada uma imagem de que a manifestação cultural lá é proibida. Tito e Ruy não gostam da ideia de falar mal de seu país, e gostariam de cantar temas relacionados a beleza, e não revolta, demonstrando patriotismo.

 

Anibal Ford, em Navegações – Comunicação, cultura e crise, comenta que “são claras as profundas relações entre política e cultura, mas também é claro que são dois territórios, duas distâncias, epistemologicamente diferentes”. É o que é passado no filme: a música – proibida – usada como instrumento político mas que, de certa forma, não poderia ser usada assim. 

 

A música é uma forma de cultura usada como válvula de escape para os problemas vividos pelos personagens – como a infelicidade no casamento, as confusões, falta de dinheiro, etc. A música é uma forma de expressão e entretenimento, apontada por Ford como distanciamento de uma realidade cruel. 

 

Segundo Ford, o fracasso dos paises socialistas na constituição de uma industria cultural competitiva com a ocidental não é alheio ao fenômeno da incompreensão dos meios de comunicação. Esses países  são muito rígidos na discriminação antropológica por estarem apoiados na mesma concepção de razão, o que dificulta ainda mais uma banda sair de Cuba para tocar em outros países: questões políticas.

 

Em Habana Blues também podemos perceber o forte necessidade de migração para outros países – especialmente os Estados Unidos. A “promessa de vida melhor”, mesmo que seja para viver como imigrante ilegal em outro país. O risco de fugir em uma lancha, sem saber o que irá acontecer é enorme mas, mesmo assim, as pessoas se arriscam deixando tudo para trás.

 

Tito, percussionista e segunda voz da banda, parece usar da música como escalada para fugir de seu país, demonstrando que faria qualquer acordo com os produtores, trabalhando por preços abusivos, desde que eles o tirem de lá. 

 

Para Ford, o eixo da crise latino-americana passa por uma economia estagnada, que não estaria acompanhando o aumento populacional e “significa o crescimento da marginalização e das culturas informais”, o que podemos relacionar com Habana Blues: várias formas de manifestações culturais, desde o rap até o death metal, passando pelo pop, salsa e rock, feitos pelas classes populares de cuba.  Essas classes populares, segundo Ford, teriam “saberes que talvez não possam ser formalizados, porque sua semiose não depende só dos códigos mas fundamentalmente do contexto”.

 

Concluindo, Habana Blues é um filme que reflete não somente a realidade atual de Cuba, mas também a realidade de toda a América Latina: momentos de crise, em que as pessoas buscam por uma vida melhor, uma forma de “escapar” ou driblar os problemas. Mostra a dificuldade de artistas independentes mostrarem seus trabalhos em meio massificados – e também o que estes artistas são capazes para isso.

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2 Respostas to “Manifestações e fugas através da música em Cuba: Habana Blues”

  1. […] massificados e, ao mesmo tempo, a falta de cultura desses meios – ontem escrevendo “Manifestações e fugas através da música em Cuba: Habana Blues”  me dei conta mais ainda […]

  2. Muito bom Isadora, eu estava procurando bons materiais pra melhorar um seminário sobre esse texto do Ford, e achei o seu, que aliás está excelente!
    Espero que você não se importe que eu use trechos do seu texto, claro que com os devidos créditos.
    Abraços!

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